O que é Inteligência Artificial?

Aviso: não há nada de exato na conceituação de inteligência, porque é ela falando dela mesma. Começo este post com um aforismo da minha lavra: “Um computador somente será inteligente quando não acreditar naexistência do seu criador.”

chip-cerebro O conceito de inteligência artificial é fruto de uma forma de ver o mundo nascida no Iluminismo, que deu origem ao Mecanicismo, inventor da metáfora cérebro-computador, que até hoje está em voga, apesar das muitas evidências colocarem em cheque os paralelismos entre o mecanismo chaveador e tosco chamado computador digital e a maravilha multidimensional, sede do ser cognoscente, chamada cérebro.

Dificuldades da metáfora cérebro-computador. Fixo-me numa das grandes dificuldades para a metáfora cérebro-computador: o problema da compactação.

A necessidade de compactar dados surgiu quando a quantidade de dados aumentou exponencialmente versus recursos físicos das mídias de armazenamento e limitações de largura de banda das transmissões. Tal fenômeno se deu proporcionalmente a demanda por maior definição de imagens e áudio, que tornou imperiosa a necessidade de compactar as informações, para que pudessem trafegar nas supervias e ocupar menos espaço nos meios de armazenamento.

Assim, surgiram os diferentes formatos de compactação de vídeo, fotos, áudio, textos, etc. Porém, por mais que os sistemas de compactação tenham sido otimizados, sua eficiência nem chega aos pés do que acontece na natureza em termos de armazenamento de dados. Gravando dados no cérebro. Por razões didáticas, vamos supor um vídeo hipotético de uma cena familiar que vá ser armazenado simultaneamente num dispositivo digital e num cérebro.

O vídeo a ser armazenado digitalmente vai sofrer um processo de compactação e vai ser gravado numa mídia qualquer e guardado num lugar. Ele se transforma numa “coisa”, que para ser resgatada precisará de um aparato eletrônico que leia a mídia, decodifique a informação compactada e processe o conteúdo (descompactação) para que possa ser exibido. O cérebro trabalha com paradigmas radicalmente diferentes. Na medida em que a cena familiar vai sendo memorizada, são estimulados conjuntos de redes neuronais impressionados pelas as imagens, sons, odores, sensações tácteis, etc, amalgamados com as memórias emocionais que acodem naquele momento. Cada rosto familiar, ao provocar reações boas e más com base em vivências anteriores, dispara critérios hierarquizantes para a gravação da fita, fazendo com que o resultado final seja não-linear, onde várias partes do vídeo simplesmente sejam suprimidas, enquanto outras se tornam superdimensionadas.

Tempestades em redes neuronais recortadas contra o céu noturno. O resultado final da gravação cerebral é uma tempestade de redes neuronais que se ligam e desligam irradiando clarões como se fosse um tormentoso céu noturno. Contudo, tais encadeamentos sinápticos são efêmeros, pois a sua fidedignidade se circunscreve ao tempo em que foi feita a gravação. Ao longo dos anos, a luz vívida das redes evocadas pelas imagens da cena familiar vão se apagando e sendo substituídas por outras redes mais recentes, até que uma fagulha daquilo tudo se decanta na memória como uma simples recordação. As recordações são o resultado da hiper-ultra-super-compactação criada pela natureza, porque elas guardam apenas um bilionésimo da informação armazenada no dia da gravação.

Algo é guardado, uma fração, um elemento disparador que a ciência ainda não desvendou, mas que é responsável pela restauração das redes esquecidas. Porém, quando as lembranças são rememoradas, elas não mantêm a mesma fidelidade do momento em que foram geradas, perdem o seu viço, quer seja pelo envelhecimento e conseqüente adulteração, quer seja pela introdução de elementos novos provindos de memórias mais recentes, que distorcem a memória original.

O cérebro não trabalha com memórias estáticas. Portanto, a inteligência natural é alimentada com memórias estáticas, obrigando o processamento cognitivo de recriação contínuo da base de dados, partindo dos vestígios armazenados na forma lembranças. Assim, um dos principais atributos da inteligência pode ser resumido no seguinte aforismo: “Inteligência é a ação de criar e recriar continuamente.” Quando a máquina conseguir duvidar, ela passará a existir, logo ela poderá possuir inteligência.

A máquina ainda tem um longo caminho de autonomização pela frente e, quando ela for capaz de recriar e inventar as suas próprias memórias, então terá dado o passo decisivo em direção à postura ateísta referida no aforismo inicial, que comprovará a presença de duas coisas fundamentais na gênese da inteligência: livre arbítrio e dúvida.

Assim, este artigo encerra à moda descartiana enfatizando que somente existe quem duvida da própria existência e somente quem duvida, pode ser considerado aquinhoado por inteligência, sem exceções à regra, como se fosse um axioma a fornecer firmeza à inexatidão movediça do assunto.

Leituras interessantes:

10 Importantes Diferenças entre Cérebros e Computadores Inteligência Artificial, qual é a tua?

Uma resposta to “O que é Inteligência Artificial?”

  1. Integencia artificial é uma loira que tingiu o cabelo de preto hauahuahauhauahua

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