Hominídeo achado na África do Sul revela uma nova etapa na evolucão humana

WASHINGTON, EUA (AFP) – Dois esqueletos parcialmente fossilizados de uma espécie de hominídeo, com quase dois milhões de anos, foram descobertos na África do Sul, levantando o véu sobre uma nova etapa da evolução humana, segundo trabalhos divulgados nesta quinta-feira pela revista americana Science.

A nova espécie de hominídeo foi batizada de ‘Australopithecus sediba’. Dois espécimes – uma mulher adulta e um homem jovem – com uma idade estimada entre 1,95 e 1,78 milhão de anos foram encontrados perto um do outro, em 2008, em boas condições de conservação numa caverna situada a 40 km de Johannesburgo.

“Estes fósseis nos dão um olhar extraordinariamente detalhado a um novo capítulo da evolução humana e abrem uma janela paa um período crítico, quando os hominídeos fizeram a mudança da dependência na vida nas árvores à vida no solo”, disse Lee Berger, principal autor do artigo.

Eles caminhavam eretos e compartilhavam vários traços das primeiras espécies conhecidas de ‘Homo sapiens’, com braços longos como os símios, e mãos curtas e fortes, o que poderá ajudar a responder a alguns questionamentos científicos, enfatizaram os pesquisadores.

Tinham pélvis evoluídas, dentes pequenos e pernas longas que permitiam que corressem como um homem. Também é provável que fossem capazes de subir em árvores.

“O ‘Australopithecus sediba’ parece apresentar um mosaico de características que apontam para um animal que vivia confortavelmente nos dois mundos”, disse Berger, paleo-antropólogo da Universidade de Witwatersrand, em Johnnesburgo.

Os dois espécimes tinham cerca de 1,27 metro de altura. A fêmea pesava 33 quilos e o jovem macho, cuja idade é estimada em 10 anos, 27 kg.

As espécies tinham cérebros pequenos, de tamanho correspondente a um terço o volume do dos homens modernos.

Mas Berger destacou, durante coletiva de imprensa por telefone, que o formato de seus cérebros parece ter evoluído com relação ao de outras espécies de australopitecos.

A nova espécie tinha muitas características físicas similares às dos primeiros hominídeos, o que ajudaria a explicar o que significa ser um humano, afirmou.

A estrutura do esqueleto dos dois fósseis é similar à das primeiras espécies de ‘homos’, mas os novos exemplares parecem tê-lo empregado da mesma forma que “Lucy,” que talvez seja o mais famoso fóssil de hominídeo.

Encontrada em 1974, Lucy tinha 3,2 milhões de anos e foi considerada o ancestral comum da humanidade até a descoberta de “Ardi” (Ardipithecus ramidus), com 4,4 milhões de anos, que aponta para um ancestral comum com o chimpanzé.

Berger disse não ser possível estabelecer a posição “precisa” da nova espécie com relação aos primeiros homens.

“Podemos concluir que esta nova espécie partilha mais características derivadas dos primeiros ‘homos’ do que qualquer outra espécie de australopiteco, e por isso representa um candidato a ancestral para o gênero…”, afirmou.

O local da descoberta é rico em fósseis e pelo menos outros dois espécimes de sediba foram retirados da terra e estão sendo analisados, disse Berger.

Os cientistas também identificaram os fósseis de pelo menos 25 outras espécies de animais, incluindo uma hiena, um cão selvagem, antílopes e um cavalo.

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