Infraestrutura de Internet Parte 4: O Futuro.

Por: Flavio Amaral

Prever o futuro não é tarefa fácil, muita gente já tentou com graus diferentes de acertos e erros. Como viagens no tempo não são possíveis, a forma de fazer isso é observar o cenário atual e visualizar o que pode acontecer com as peças do tabuleiro. Com base em acontecimentos passados e atuais, farei um exercício para prever qual será a realidade daqui a alguns anos.

Velocidade das Conexões

O aumento na velociadade das conexões dos usuários é um fato. Iremos cada vez mais observar os minguados 1Mbps serem atualizados para 100Mbps ou 1Gbps. A fibra óptica vai substituir os atuais cabos coaxiais ou novas conexões sem fio vão chegar a essas velocidades. Muita gente se pergunta se essa velocidade vai ser mesmo necessária, afirmo que sim. Pelos seguintes motivos: a TV que assistimos vai deixar de ser transmitida via ondas de rádio para chegar em alta definição pela fibra. Filmes e conteúdos multimídia vão ser baixados por ela. Jogos em alta definição e jogados em grupo também. Isso já é suficiente para preencher esse canal.

Lembrando que essa ampliação é apenas uma parte do problema, pois ela consiste apenas em colocar fibra entre a casa do usuário e um quadro de distribuição no bairro. E o resto da Internet? Uma vez que tenhamos 1Gbps, o conteúdo tem que chegar rápido também. Isso significa ampliar as capacidades dentro do país e para fora. Essa solução sozinha não será suficiente, uma distribuição inteligente de nós de CDNs também será vital.

Celulares e Leitores

Os celulares inteligentes (smartphones) já são uma realidade mundial e vão se popularizar ainda mais com subsídios de anunciantes. O uso deles para a comunicação de dados já passou o seu uso por voz e a tendência é que essa distância aumente ainda mais a medida que conteúdos sejam produzidos para eles. Vai ser possível assistir TV no celular, baixar jornais, livros e revistas, fazer video conferências, etc. Tudo isso requererá uma rede de dados veloz e também uma participação de redes de CDNs para melhorar a experiência dos usuários.

A Apple lançou seu leitor iPad para concorrer com o Kindle,da Amazon. A aposta aqui é que isso substitua livros, jornais e revistas. Um livro pode ser baixado em segundos neles. E para quem acredita que isso não irá vingar, basta saber que a Amazon vendeu mais livros virtuais que físicos nesse último natal.

CDNs

As CDNs vão ser a peça chave no futuro. A escolha de onde instalar um nó ou nós de CDNs é um puro exercício de estratégia que requer um conhecimento da topologia das redes dos provedores acompanhado de medições de velocidade de acesso.

Quando as conexões de gigabit por segundo se tornarem populares, não vai ser possível ampliar toda a Internet de forma homogênea ao mesmo tempo. Para dar ao usuário um serviço ao nível da velocidade contratada, vai ser necessário instalar nós de CDNs cada vez mais perto deles. Talvez cada bairro tenha um nó e as cidades possuam vários nós espalhados conversando entre si. Essas estruturas armazenariam os conteúdos de vídeo, aúdio e jornais, revistas e resultados de buscas mais acessados pelas pessoas da redondeza.

Um nó de uma CDN consiste em um conjunto de servidores e equipamentos de redes (roteadores, switches, etc). Tudo isso mantido em um ambiente refrigerado e seguro. Armazenar isso em várias regiões da cidade, requererá um conceito que as empresas de Internet estão trabalhando há alguns anos: data center em uma caixa (data center in a box). Várias empresas já possuem soluções próprias e isso será a realidade no futuro e a forma para que a Internet fique mais rápida.

Data Centers

Os data centers vão ficar ainda maiores, mas vão cooperar entre si de forma inteligente. Um data center irá se comunicar com o outro quando sua capacidade estiver próxima do limite máximo ou mínimo, avisando aos outros data centers da rede que pode ou não aceitar mais tráfego. Sabendo da localização e perfil dos usuários, eles irão controlar os nós de CDNs com os conteúdos mais acessados. Eles também serão inteligentes para desligarem os servidores durante os períodos de menores picos de acesso.

Jornais, Revistas e TVs.

Já tinha escrito um artigo de como via o futuro das mídias tradicionais. Acredito que a mídia impressa irá migrar maciçamente para o formato digital por vários motivos. Um deles é que os anunciantes vão preferir fazer suas propagandas em um meio onde possam identificar quantas pessoas viram seu banner, quantas clicaram, de onde, que horário, qual o perfil do usuário, etc. Isso melhoraria, sem dúvida, a estratégia de vendas. E que outro meio senão a Internet para prover isso?

A TV nos moldes tradicionais não existirá mais. As pessoas exigirão que a TV se adaptem a elas da mesma forma que a Internet funciona hoje: conteúdo onde e quando se quer. Isso fará com que as TVs produzam seus programas diariamente, mas não os coloquem em uma grade de horários. Os usuários decidirão a hora que querem assisiti-los assim que eles ficarem prontos. Quer ver o jornal das 20h às 22h? Tudo bem, é só ligar seu computador ou sua TV digital conectada a Internet e pronto. Além de não ter horários, a TV será interativa, permitindo colocar comentários na sua programação. Quem ver o conteúdo depois poderá ver o que já foi postado sobre ele e participar das discussões.

Embora isso seja uma previsão bastante futurista, esse conceito já foi idealizado e implementado no começo da popularização da Internet em 1996. A Netscape construiu um módulo chamado Netcaster para seu navegador, o Netscape Communicator. A idéia era que a notícia chegasse até os usuários através da tecnologia push (como leitores RSS) de acordo com o gosto deles. Os usuários poderiam se inscrever em canais e receber a sua programação em qualquer horário. É incrivel imaginar que isso já estava disponível há quase 15 anos atrás, mas pena que veio no momento errado, pois ainda estávamos na era da Internet discada (dial-up).

Uma breve visão de como será a TV do futuro nos foi mostrada no ano passado: a morte de Michael Jackson. O evento em si já começou dizendo a que veio: derrubou alguns sites da Internet, teve uma audiência impressionante e foi transmitida ao vivo pela CNN permitindo comentários em tempo real via facebook.

Concordo 100% com o Paul Grahan quando ele escreveu que a TV perdeu para o computador e que este último irá realmente ser a porta de entrada de informação, lazer e entretenimento dos usuários no futuro e a TV como conhecemos ficará obsoleta.

Com esse artigo encerramos a série de infraestrutura de Internet. Os próximos artigos serão focados em seus componentes individuais, os Data Centers, CDNs, redes de fibra ópticas, etc.

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